domingo, 17 de junho de 2007

Shrek Terceiro

Existe uma "fórmula mágica" na narrativa de todo Shrek, que aproveita da combinação de piadas tão inspiradas, uma história bem produzida com personagens interessantes e uma ótima trilha sonora com uma proposta bem diferentes dos clássicos musicais da Disney, já que aqui elas servem como trilha de fundo (substituindo as "quase-cafonas" peças musicais cantadas pelos próprios personagens). Aliás, é justamente nessa inversão de propostas, de se mostrar sempre disposto a satirizar alguns dos maiores clichês dos desenhos da Disney, que reside o maior charme de Shrek. Infelizmente nesse terceiro episódio, essas propostas pareceram muitas vezes esquecidas, dando lugar a um humor pastelão (com inúmeras gags envolvendo peidos e rotos, só para citar alguns exemplos) e um drama água-com-açucar sobre a importancia de acreditar em sí mesmo, não ligar para que os outros pensam, etc... E enquanto a sutilidade marcou alguns dos emocionantes acontecimentos dos dois primeiros longas, aqui a obviedade parece ser o melhor caminho para cativar o espectador.


Mas isso não significa que o filme seja abaixo da média. Pelo contrário, existem tantos elementos interessantes ao longo de sua 1 hora e meia de projeção, que se torna até um tanto dificil criticar os pontos fracos da animação (que acaba ficando um pouco abaixo dos episódios anteriores). E é interessante perceber novamente como Shrek não é voltado exclusivamente para o público infantil. Isso é perceptível desde sua fantástica trilha (incluindo faixas de Ramones e Led Zepellin) e momentos absurdamente hilariantes, que muitas vezes podem passar despercebidos pelo publico mais jovem, como na cena em que o capitão gancho (sim, ele está no filme) procura Peter e Wendy obcecadamente, além das claras referências de filmes como O exorcista, O Homem de 6 Milhões de Dólares, O Bebê de Rosemary, Cantando na Chuva, A Noviça Rebelde e A Primeira Noite de um Homem (muitas das quais o público infantil simplesmente não reconhecerá).

A história gira novamente em torno dos personagens Shrek e Fiona, que pretendem voltar ao pântano para uma tranquila vida de ogro. Mas a morte do Rei Sapo só dá ao ogro 2 opções: Encontrar Artur para suceder o reinado ou assumir o trono. É assim que, acompanhado dos divertidos Burro e Gato de Botas, parte para uma jornada a fim de encontrar o garoto. Por outro lado, Encantado se une a uma grupo de vilões e heroínas frustradas para invadir a terra de Tão, Tão Distante, acabar com Shrek e se tornar rei. Inéditos na terceira aventura, é o próprio garoto Artie que, apesar da sua importância na trama, rende pouquíssimos bons momentos, e o fraquíssimo mago Merlin, que por meio de um jeitão sempre ingênuo e meio esquizofrênico tenta ser engraçado o tempo todo sem jamais conseguir tirar risadas do público (e olha que o cinema estava cheio de crianças).
Apesar de alguns problemas, Shrek Terceiro passa longe de ser uma experiência frustrante. Divertido como uma animação deve ser, com o charme e o carisma daqueles que tanto já nos cativaram, o filme é no final das contas, um divertidíssimo passa-tempo. E apesar de leve queda de qualidade em relação aos capitúlos anteriores, não me surpreendo se esse episódio ser o favorito ao Oscar 2008 de melhor animação.

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